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O incrível poder do pensamento positivo

(por Roberta Mattana)

Mesmo que a ciência ainda não consiga explicar de maneira tão clara, acredite: as energias do campo mental coordenam a saúde física. Assim, atitudes otimistas e de fé podem melhorar nossa vida e, inclusive, nos curar de doenças. Compreendendo que o pensamento positivo atua na vontade das pessoas, fica fácil adotar uma postura otimista frente à vida.

 

Imagine a seguinte cena: você está no hospital e há um ente querido na UTI. O médico se aproxima de você e diz: “reze, reze bastante”. Bom, eu posso imaginar o que vai se passar pela sua cabeça... Talvez você pense que a situação está gravíssima ou que o quadro do paciente apresentou uma piora. A boa notícia – e que a ciência ainda não consegue explicar de maneira clara – é que o pensamento positivo e a prece emanados a alguém que se encontra enfermo têm bastante poder.

Sabe-se de estudos realizados em UTIs que provaram que pessoas que receberam orações intercessórias – sem saber que tais pensamentos positivos eram endereçados a elas – comparadas a um grupo que não recebeu preces, obtiveram menos complicações hospitalares. Ou seja, não houve queda na mortalidade, mas as complicações que poderiam ser evitadas apresentaram impacto significativo na estatística. Vale lembrar que pensamentos bons emanados para outras pessoas desenvolvem também no indivíduo que envia, emoções de bem-estar.

Nesta mesma linha, pesquisadores da Universidade de Stanford, em 2005, analisaram pares de pessoas com vínculo afetivo entre si. Enquanto um indivíduo da dupla (emissor) era orientado a emitir intenção de cura e oração ao seu par (receptor), este era monitorado por ressonância magnética para identificar atividade das áreas cerebrais durante os intervalos de tempo em que a oração era emitida. Detalhe: os indivíduos não sabiam que estavam recebendo preces. Ao final, constatou-se que regiões importantes do lobo frontal e do sistema límbico foram as mais ativadas, evidenciando melhor funcionamento de áreas responsáveis pelo raciocínio, discernimento, tomada de decisões e equilíbrio das emoções.

O neurocirurgião e professor universitário Marcelo Mattana não tem dúvida de que pacientes em leito de hospital que recebem orações – mesmo sem saber – apresentam menos complicações, o que influencia diretamente no tratamento. “Creio que os pacientes que recebem correntes de pensamento positivo e energias de grupos de pessoas sentem as orações, o que provoca evolução na recuperação”, exprime.

Há, porém, um caso em específico em que o poder do pensamento positivo é determinante para a cura. Chama-se efeito placebo. De acordo com estudo da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, em 1811, o dicionário médico Hoopers definia placebo como “qualquer medicamento dado mais para agradar do que para beneficiar o paciente”. Em outras palavras, efeito placebo é qualquer resultado positivo atribuído a uma pílula ou procedimento, mas não a suas propriedades farmacodinâmicas. Trata-se da resposta positiva do paciente, que ao tomar um comprimido de farinha, com efeito inócuo, por exemplo, apresenta o benefício da cura.

Segundo estudos da neurociência, a expectativa positiva gerada pela fé, por estados de meditação e ao serem utilizados medicamentos inertes (efeito placebo) ativam as mesmas regiões do cérebro. Ou seja, não há como explicar o que ocorre no cérebro quando se fala em efeito placebo se não for pela via do pensamento positivo.

Estudos comprovam uma série de casos de recuperação, de aumento da longevidade, entre outros, quando o paciente coordena sua sintonia mental para que seja estímulo de mudanças e melhora. Uma abordagem espiritualista contemporânea afirma, inclusive, que o médico tem consciência de que a cura é atributo do enfermo e não do terapeuta.

Nesse sentido, Mattana comenta que, ao longo de sua experiência médica, se depara com casos repetidos, de pacientes com a mesma doença, no mesmo lugar. E, ao se comparar a atitude deles, é possível notar que os pacientes otimistas e com fé no seu pronto restabelecimento se curam de fato mais rápido. Além disso, o médico encoraja seus pacientes a pensarem positivo, sabendo das consequências de tal ato. “Ser otimista no enfrentamento do problema ajuda a resolver etapas de recuperação que poderiam ser mais demoradas, e isso faz toda a diferença”, enfatiza o neurocirurgião.

Vale registrar que pesquisas recentes demonstraram que a espiritualidade pode ser um caminho para melhorar a qualidade de vida dos enfermos, assim como estimular maior rapidez no processo de cura e/ou enfrentamento das doenças. Então, quando um médico se aproximar da família de alguém que está na UTI do hospital e disser “vamos orar”, não significa uma medida de emergência nem que tudo está perdido. Pelo contrário. O pensamento positivo, não somente conosco mesmos mas para com os outros, têm embasamento e pode, inclusive, melhorar o quadro do paciente.

 

 

Coordenando a sintonia mental: o efeito no cérebro

Da ótica da física quântica, o pensamento é onda eletromagnética. Formulando-se em ondas, o pensamento age de cérebro para cérebro, tal qual, no caso da televisão, a corrente de elétrons age de transmissor para receptor.

Graduado e mestre em física pela Universidade de São Paulo (USP), o professor universitário André Luiz Oliveira Ramos afirma que a física quântica funciona como uma lente da ciência, por meio da qual é possível compreender os mecanismos ocultos da natureza, porém reais no cotidiano. “Desde o último século, a física descortinou a intimidade da matéria revelando, entre outros aspectos, a influência de observador consciente no estado quântico das partículas. Além disso, contribuiu para avançarmos no estudo do cérebro por meio dos modernos equipamentos de diagnóstico por neuroimagens, os quais permitem visualizar atividade cerebral em tempo real”, explica.

Nessa linha, o físico destaca o estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Oregon, que investigou a não-localidade quântica entre cérebros humanos correlacionados por meditação. “Os resultados do experimento sinalizaram para a possibilidade de ocorrerem correlações entre atividades cerebrais de duas pessoas separadas, e regiões cerebrais específicas poderem ser ativadas”, analisa. Isso quer dizer que quando você emana boas vibrações para alguém – de alguma maneira inexplicável, porém muito especial – essa corrente é sentida.

Ramos assegura que tal estudo abre caminho para compreender os efeitos do pensamento positivo no cérebro, tanto de quem irradia, quanto de quem é objeto da intenção, mesmo à distância. Dessa forma, sentimentos como alegria, confiança, amor, afeto, otimismo, compaixão, entre tantos outros, são medicamentos para o bom funcionamento do cérebro e da saúde do ser humano. E aqui, o professor convida para uma reflexão: “Como ficaria o cérebro de pessoas que não gostamos ou de relacionamento conflitante se, ao invés de pensarmos mal, emitirmos orações ou intencionalidade de felicidade e paz?”.

 

  

 

Com que tipo de informações você alimenta seus pensamentos?

Marcelo Mattana define o pensamento positivo como “a atitude de ver as coisas pelo lado bom, podendo fazer disso um comportamento, uma filosofia de vida”. Conforme o médico, não existem bases neurobiológicas para explicar o efeito do pensamento positivo no cérebro, mas se sabe que o mecanismo cerebral funciona diferente em quem está depressivo e em quem está feliz. “Ver as coisas pelo lado positivo faz com que vários neurotransmissores, entre eles a noradrenalina e a serotonina, mudem sua concentração em determinadas áreas do cérebro, fazendo-o reagir melhor, funcionando melhor. Isso impacta diretamente nas funções cognitivas do ser humano. Portanto, estar de bem com a vida, ter uma atitude positiva e de felicidade faz com que o cérebro processe melhor as informações”, explicita o médico.

Da mesma forma que o físico André Luiz Ramos, a bioquímica Samira Turconi não só acredita e pratica o pensamento positivo, como também promove palestras sobre o assunto. “O pensamento é uma emissão de energia e como tal propaga-se no universo conforme as leis físicas, ora como ondas, ora como partículas.  Assim, ao emitirmos um pensamento, emitimos a energia como partículas sobre o nosso corpo, que serão reconhecidas pelo cérebro. E, por meio do seu comando, emitirá a produção de neurotransmissores para o fortalecimento ou enfraquecimento dos diversos sistemas do organismo, produzindo, assim, saúde ou doença. Do mesmo modo, a energia na forma de ondas leva o pensamento ao universo, inundando-o com nossas vibrações de felicidade ou de infelicidade. Assim, aquilo que eu penso cria uma espécie de psicosfera ao meu redor, boa ou má, de acordo com o teor dos pensamentos, produzindo bem-estar ou não a todos os que convivem comigo”, afirma.

De acordo com Samira, com a força do pensamento, é possível conquistar tudo o que estiver ao alcance das possibilidades, de acordo com a lei de causa e efeito. “Peça ao universo, por meio do pensamento, trabalhe para conseguir e tudo conquistará”, assegura a palestrante.

A estudante de psicologia Karina Furlin concorda com Mattana, ao acreditar que pensar positivo é um comportamento, e também procura nutrir uma atitude positiva frente à vida. “Manter o pensamento positivo no cotidiano é uma escolha, uma filosofia de vida. Eu acredito e tento sempre manter a motivação diária de maneira otimista”, comenta. E, assim como Samira, Karina confia na lei de causa e efeito. “Os pensamentos emitem uma frequência energética importante, capaz de nos modificar interna e externamente. De acordo com esse raciocínio, se entende que o pensar positivo cria possibilidades e reações positivas, eis a relação de causa e efeito ou ação e reação, tão faladas atualmente”, lembra ela. A estudante acredita, ainda, que a maior conquista com o exercício do pensamento positivo é para a saúde mental. “A partir do momento que se percebe a vida por meio de um olhar positivo, cria-se uma postura saudável para lidar com o cotidiano, com as pessoas, acontecimentos e sonhos. Eu confio muito nisso”, completa.

Coach e master practitioner em programação neurolinguística (PNL), Fernanda Farias conceitua o pensamento positivo como “o nosso diálogo interno, nossa linguagem mental”. Para ela, trata-se do que nós dizemos para nós mesmos. A PNL contribui nesse processo, ao ensinar que ‘querer é poder’. “É uma ferramenta que nos auxilia com um conjunto de técnicas de controle da mente, que possibilita nos tornarmos mais conscientes em relação aos nossos pensamentos, sendo útil para nosso aperfeiçoamento pessoal e profissional”, menciona. Fernanda compreende que, com a força do pensamento, podemos conquistar tudo aquilo que planejamos. “Gosto muito de uma frase que diz: Se você pensa que pode, você pode. Se você pensa que não pode, você tem razão. A escolha é sua”. 

 

 

Eduque a mente, discipline os pensamentos, ordene as ideias

Elaine Ourives estuda o poder da mente há 15 anos. Possui formação em física quântica e em PNL, e atua como neuropsicoterapeuta vibracional quântica. Segundo ela, o pensamento positivo funciona sim, mas sozinho não tem força de manifestação. “Somos criadores da nossa realidade e criamos o nosso mundo por meio do pensamento. Quando pensamos em algo que queremos, uma avalanche de sinais nervosos se desencadeia no cérebro. No córtex (camada periférica dos hemisférios cerebrais), milhares de neurônios são acionados e trocam informações em frações de segundo. Arquivos de memória são vasculhados e, sem que você possa controlar ou prever, uma imagem surge em sua mente. De uma casa, por exemplo. Então, você deve sentir um bem-estar, uma vontade de possuir essa casa de verdade”, exemplifica ela, acrescentando que o inconsciente precisa ser impressionado por meio da frequência vibracional que você realmente deseja aquilo.

Elaine informa que, ao longo do tempo, a pessoa passa a ser vítima do esquema montado pelo próprio sistema de pensamentos, sem perceber essa ligação. “Funciona assim: me mantendo em frequência elevada, consigo ter dias equilibrados e de acordo com aquilo que planejei antes de levantar. Por meio da meditação e do pensamento, gero sentimento e emoção de acordo com o que eu quero. Isso chama-se de frequência vibracional de alegria, e então tudo flui”, explica.

A palestrante Samira Turconi afirma, veementemente: a ação do pensamento sobre o corpo é poderosa. “As forças vivas da mente estão sempre construindo, recompondo, perturbando ou bombardeando as células responsáveis pela saúde ou pela doença. O pensamento salutar e edificante flui pela corrente sanguínea como tônus revigorante das células, passando por todas elas e mantendo-se em harmonia. O oposto também ocorre. Realizando o mesmo percurso, o pensamento negativo produz agentes químicos que perturbarão o equilíbrio celular de todo o organismo, produzindo alterações e condições para a instalação de doenças”, elucida.

Ela ensina a buscar somente o lado bom de tudo o que nos rodeia. “Para abreviar o tormento que nos flagela de vários modos a consciência, é imprescindível trabalhar na renovação mental, pois assim encontraremos consolação e paz, adquirindo ânimo e entusiasmo para prosseguir”, pontua, acrescentando que o pensamento é a força dinâmica capaz de descobrir maravilhas, levando-nos à felicidade, ou de projetar a sombra, de acordo com a natureza boa ou má do seu conteúdo.

Elaine Ourives, por sua vez, é enfática ao responder o que é possível conquistar com o poder do pensamento: “Tudo”, diz ela, “quem limita o poder somos nós”. Ela declara, ainda, que pessoas que pensam e sentem positivo, e buscam seus sonhos na frequência da alegria e do amor, podem tudo. “A simples reorganização dos pensamentos disfuncionais pode fazer uma diferença muito grande em nossas vidas”, destaca.

A coach Fernanda Farias acrescenta que os pensamentos criam nossa atitude mental, e ela determina nossos comportamentos. “Acredito muito que o que pensamos interfere diretamente no que sentimos. Logo, o que sentimos interfere em como e o quê fazemos. Sabendo do efeito do pensamento positivo no cotidiano, passamos a aplicá-lo no sentido de gerar resultados mais desejados em todos os aspectos das nossas vidas”, pontua.

Para encerrar, Samira convida para a reflexão: se quisermos sofrer menos ou estruturar uma saúde perfeita, faz-se necessário disciplinar os sentimentos, pois são eles que geram os pensamentos. “Quem educa as ideias, está servindo como médico de si mesmo, está tomando medicamentos bem indicados para todos os tipos de males, está vivendo mais porque começa a sentir a própria felicidade”.

 

* Reportagem originalmente publicada na Revista do Recreio da Juventude - 3ª edição - 2015.

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